Archive for June, 2009

Amor e seus questionamentos

28/06/2009

Estava em frente do espelho, na busca desenfreada por mais fios de cabelos brancos – responsáveis por delatarem os anos que passam rápido demais, que chegam sem pedir licença e que estão apenas a uma semana de me deixarem num ponto de histerismo incontrolável – quando comecei a questionar o amor.

A gente vive em busca do ’sentimento necessário’, aquele que nos faz melhores, mais felizes, mais completos; mas sabemos quando o encontramos? Alguém, algum dia, se deu ao trabalho de classificar todos os sintomas e reações que essa coisa provoca? É verdade sobre as borboletas no estômago? Tudo é sempre um mar de rosas? Tem que ter briga, tem que ter tesão e sexo na mesmo proporção ao longo do tempo?

Se não existe demonstração de ciúmes, será que ele gosta de mim? Se ao invés de brigar, eu saio andando, significa que não me importo? Se toda hora falo ‘eu te amo’, por mais que ele saiba que eu amo, é para me convencer que, de fato, eu amo? A calmaria, no lugar daquela ansiedade toda, é sinal de maturidade ou falta de apego? Dormir todo dia junto leva ao marasmo, à acomodação? Se nos vemos bastante, vai enjoar? Ainda precisa de alguns segredos entre nós, de um joguinho de sedução ou o que vale é ser sincero e espontâneo? Deixa-se um pouco as baladas de lado ou cada um cede um pouco? Abro mão de uma ou outra companhia que ele não se sinta bem ao lado? Conto para ele que falei com meu ex?

E depois de tantas perguntas sem respostas, me perguntei porque estava me perguntando aquilo! Pois as pessoas descrevem a felicidade delas como um nirvana e às vezes, somos levados a acreditar (o mundo da inveja e fofoca é um c#!) que o que temos não é tão bom assim. Escutamos bastante sobre proezas sexuais, orgasmos alucinantes, presentes maravilhosos, pedidos de namoro pra lá de românticos, declarações de amor de fazer chorar, scraps, depoimentos e sei lá mais o que! E quem não tem isso, faz o que? Se mata?! Termina com o desgraçado, alegando que ele é o filho da puta mais insensível que você já viu na vida?

Melhor: observe!

Ele cuida de você? Ele segura sua mão quando o mundo todo está ruindo, te apazigua sem te mimar e te mostra o lado positvo da situação? Ele acredita no seu potencial e te incentiva a ir à luta? Quando você o abraça, a primeira sensação é a de paz? Você se sente segura ao lado dele? Mesmo conhecendo o passado dele, consegue ver o que ele está fazendo para mudar? Você o vê transpondo certas barreiras em nome do que estão construindo? Ele é capaz de adivinhar se você está triste, feliz ou brava apenas pelo tom da sua voz? Você sabe do que ele gosta e compra um presente sem medo de errar? Você sente o cheiro dele no seu corpo e sorri que nem uma idiota por isso? Você sabe que pode conversar com ele às 4 da manhã que ele vai te escutar? Você faz a comida favorita dele e uma massagem depois que ele teve um dia de cão, mesmo estando cansada, apenas porque quer vê-lo feliz? Você se excita só de ver o corpo dele?

Vocês completam frases, pensamentos e sabem o que cada um diria naquela situação? Vocês se divertem na balada, no cinema, vendo filme ou numa roda de amigos? Vocês conversam abertamente sobre medos, estado de saúde, problemas finaceiros e vestimenta? E mesmo assim você não tem ciúmes, não briga e as porras das borboletas nem cócegas fazem no seu estômago?

Amiga, sinto muito em te avisar, mas você está numa relação saudável e madura, provavelmente com o amor da sua vida. E tenho dito!

Retirado de: http://euemeueu.wordpress.com/2009/02/06/amor-e-seus-questionamentos/

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R-1

27/06/2009

Voltando para casa, a noite, atravessando a Salim Farah Maluf, vejo um moonte de jovens e adolescentes amontoados frente a porta do Cabral. Nesse instante me veio uma breve e profunda reflexão sobre minha infância. Mas o que o Cabral tem a ver com ela? Eu tinha uma amiga baixinha e loirinha, a Bianca. Ela freqüentava as matines dessa balada e sempre comentava sobre os meninos que ela tinha beijado. Na época eu tinha 10/11 anos e achava tudo um absuuurdo! Pensava: mas que nojento! Você não conhece o garoto! E você ainda beijou vários num mesmo dia!

Eu sinto saudades dessa época. Não das idéias, mas da inocência. Eu ainda acreditava em amor puro (ainda acredito, mas não na forma casta e santa) ingenuamente; acreditava que a preservação da dignidade de uma pessoa tinha relação com o que eu considerava ser promiscuo.

Hoje cresci. E não que não ache mais o ‘ficar’ como um ato promiscuo. Ate certo ponto, acho sim. Mas… percebi que é um mal necessário e prazeroso. As pessoas desejam-se, e alem disso querem historias e aventuras. E nisso o ‘ficar’ resolve muito bem. Quem não gosta da duvida em saber se você será ‘aceito’ pelo outro? Mesmo que seja apenas um minuto, um dia, ou uma semana juntos… tanto faz. Talvez o ‘ficar’ só exista para compensar a falta de afeto e aventuras. Talvez se o mundo não fosse baseado no ‘ter e ser’, o ficar não fosse algo tão difundido. Ou talvez ele sempre existiu, e hoje mais do que nunca esta explicito na sociedade como uma forma de liberdade sexual, porem de certa forma banalizado ao conduzir grande numero pessoas a sentir-se pressionada a realizá-lo (digo isso aos Bv’s… fique no seu tempo, não há necessidade de ficar só por ficar se você espera por algo especial e legal=] )

Mudei tanto meus conceitos, e gosto disso. Hoje, para mim, promiscuidade é quem não valoriza seu corpo. Valorizar o corpo não quer dizer não realizar seus desejos íntimos. Valorizar é aproveitá-lo ao maximo mas sem colocá-lo em risco, tendo consciência de seus atos e não fazer com que eles destruam seu caráter.

E o amor? Onde fica nisso tudo? Não creio que esteja perdido. Talvez no instante que você beija alguém, tenha alem de prazer um pouco de carinho. Acredito que isso vai de pessoa para pessoa… mas, o melhor é quando o amor é pleno, e desses agente não deve abrir mão. Só sentindo pra saber…

Sinta!

24/06/2009

Uma das coisas que aprendi ao longo desses incompletos 16 foi sentir. Sim, sentir. E não, não estou falando apenas de frio ou calor, dores ou conforto… falo de sabores, cheiros, coisas e pessoas.
Vale o principio: sinta as coisas na sua simplicidade. Sinta o frio acolhendo seu rosto, e não apenas a sensação de frio. Sinta o gosto e a resistência dos alimentos. Sinta o cheiro das pessoas, o toque delas em você.
Tente sentir o sentimento na fala dos outros, ponha-se no lugar deles e procure sentir como você os afeta, ou sinta o trabalho que foi empregado em cada objeto que possui, o cheiro da cidade ou do campo.
Sinta que sentimentos tem cheiro, cor e sons. Talvez você logo perceba, assim como eu, que o sentir é que nos torna humanos em essência. Sinta, reflita. E desfrute de todo esse poder=)

21/06/2009

Texto retirado do site http://www.fotolog.com.br/poesiaemvermelho .

Não reclama porque de nada adianta, não boicota porque ninguém adere, não grita porque vai parecer louco, não luta porque acha que a morte é certa.
Todos os dias , quase invariavelmente, pelo menos pra quem anda nos bairros mais movimentados da cidade, fecha-se os olhos para algum tipo de desgraça exposta diante do próprio nariz. Não parece justo condenar o ato, mesmo porque se cada um fosse absorver o que a miséria dos homens pode causar no próprio homem, pouco sobraria de sanidade no indivíduo. No entanto, ignorar sempre e cada vez mais, causa cegueira aguda e permissividade diante de coisas atrozes. Dia desses na televisão, debates sobre a inércia do brasileiro, discussão sobre a negatividade e o amortecimento de qualquer foco de resistência na população por meios implícitos, e muito mais antigos do que se pensa. Até aí nenhuma novidade, o senso-comum e parceiro daqueles a quem é interessante promover tal inércia já coloca nas nossas cabeças todos os dias idéias enganosas sobre o que significa a tal da resistência. Bem, o fato foi que, surpreendentemente, pôde-se ver o questionamento do uso da violência para atingir determinados fins. O homem do programa questionava: “Será que vale a pena esperarmos sempre uma decisão vinda de cima? Do governo, ou de Deus? Será que lutar, no sentido mais próximo do verbo, usar as mãos para atingir um fim, será que é sempre impossível, não ‘recomendado’?”. Achei interessante.
Perguntemos nós então, será que não vale mesmo a pena lutar? Até quando será suportada a humilhação imposta por um sistema, um tipo de vida, uma ideologia criada e mantida por grupos dos quais definitivamente não fazemos parte? Quantas vezes mais ficaremos insatisfeitos com o trabalho, com a casa, com o meio de transporte, com o roubo, o estupro, o pouco dinheiro, o favorecimento de quem já é sempre favorecido, a falta de amor (porque não?), a falta de justiça? Tudo isso é violência. Nascemos, vivemos e morremos na inércia. Não somos agentes tranformadores do mundo, somos legitimadores dele cada vez que nos calamos diante do terrível. É preciso se perguntar se haverá o ponto de ebulição, e qual será ele afinal, o que falta pra transbordar o copo, o que vai desencadear o conflito em que vivemos todos os dias. O quê, de tão monstruoso, vai acontecer para que as pessoas saiam de casa e coloquem mãos, pés e cabeça para pensar em outra alternativa que não a dada? Simone de Beauvoir disse: “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”, e não é verdade? Nada mais nos deixa chocados, ou se deixa esse choque dura até pensarmos no que vamos jantar daqui a pouco. Se a solução virá de cima pra baixo, ou seu contrário, o que falta (ou sobra) à estas pessoas?
Intrigante perceber, principalmente em si mesmo, a falta de resistência. Resistência, não reação, porque a última existe. Ninguém passa incólume diante de uma mãe na esquina da sua casa com um filho sarnento no braço, a reação existe: tristeza, desconforto, medo, nojo, lágrima, alívio por ver-se fora da situação, depende de quem olha e como olha, mas a reação existe. A resistência implica em algo mais complexo, implica em AÇÃO, refletir sobre as causas, os caminhos e mecanismos que levaram a tal mulher e o filho para a rua, pensar se aquilo é realmente inevitável, agir para tirá-la dali ou, minimamente, tentar agir para não permitir que exista outra igual aquela em breve, na mesma esquina, no mesmo lugar.
Enfim, o problema maior, mais angustiante, é ver que nada acontece, nunca. O grito sempre preso na garganta, e abafado com falsos agrados, falsas recompensas, rações diárias de significados para a vida medíocre que se coloca à nossa frente, todos os dias.

E lembrei do Drummond, de novo.

“Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.”

– Elegia 1938.

Duvida.

20/06/2009

O que é o amor?

Cansei

18/06/2009

Cansei das inflamações. Cansei das aftas. Cansei das feridas. Cansei das cólicas abdominais. Cansei da prisão de ventre. Cansei da insônia. Cansei da menstruação. Cansei dos homens. Cansei das mulheres. Cansei dos flertes. Cansei do estresse. Cansei do vestibular. Cansei do leite. Cansei da preocupação. Cansei da consideração. Cansei do sentimento. Cansei da rotina. Cansei da violência. Cansei da poluição. Cansei das noticias. Cansei da ética. Cansei de brigar. Cansei da bagunça. Cansei da organização. Cansei dos trabalhos. Cansei da dedicação. Cansei dos parentes. Cansei do horário. Cansei do dever. Cansei de falar. Cansei de olhar. Cansei de tocar. Cansei dos medos. Cansei de cansar.

Pare mundo, eu quero descer…
Ich will zu reisen.