Archive for February, 2010

Carnaval acabou…

17/02/2010

Sumi. Fui pra Iguape, VIVER. Vivi! E agora, acabou o sonho e voltei pra vida real. Em processo de redespertar… Enquanto não tenho muito o que escrever, vou postar um texto que eu acho muito bonito e muito valido, do Rubem Alves, escritor que admiro muito!

A complicada arte de ver, de Rubem Alves

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões — é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa — garrafa, prato, facão — era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas — e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso — porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver — eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…

Formspring.quem?

10/02/2010

Depois do MSN, do blog, do fotolog, do Orkut, do youtube e do twitter…. chegou bombando o formspring!

Pra quem não sabe, o formspring é uma ferramenta social com o intuito de lhe fazerem perguntas e você, responder. Mas o que é interessante nisso? O poder do anonimato. Você escolhe, caso tiver uma conta no FS, se quer ser identificado ou permanecer no anônimo. E se você não tiver uma conta no site, só tem a opção de escrever como anônimo.

Varias pessoas reclamam que tem suas vidas bisbilhotadas, que é preciso cuidar da saúde porque da vida muita gente já cuida… olha, não acho isso mentira porque sim, as pessoas GOSTAM de saber coisas alem das suas próprias vidas. É interessante, curioso, às vezes divertido e outras ate cruel.

E hoje em dia, com ferramentas de interação social como o Orkut, twitter e formspring, quem participa e não se preocupa em manter-se privado é porque sim, quer que saibam algo da própria vida.

Não condeno isso… cada um faz o que quiser. Vivemos na geração da exposição social, e tem muita gente que curte participar e sabe lidar bem com essas coisas. Eu estaria atirando contra mim mesma caso condenasse quem participa, porque como internetmaniaca eu gosto e participo das novidades.

Se você participa do formspring ou já leu alguns, já deve ter visto como algumas pessoas se aproveitam do anonimato. Quantas vezes já não vimos perguntas idiotas nos FS da vida? Varias vezes. Mas ate serem idiotas, tudo bem…

Mas enquanto alguns só querem ser idiotas anônimos (não que isso seja ruim, alguns são divertidos!), outros se aproveitam pra ofender, humilhar e magoar outras pessoas.

Não entendo porque existem esses tipos de pessoas. Gente que sente prazer em mexer com os outros. É puro sadismo.  É pura fraqueza também, porque não tem coragem de mostrar a cara.

Se não gosta do dono do formspring, ignora! Se você odeia o dono do formspring, seja indiferente! Mas há quem prefira a baixaria, a falta de educação…  Só por causa do anonimato.

Para essas pessoas, pena! Pena por serem tão baixas, tão fracas, tão pobres interiormente. Por que não vivem a própria vida, e esquecem quem não gostam?  Serão tão mais felizes, eu garanto!

O formspring não foi criado como uma arma contra o próprio dono. Tem que saber lidar, não tem outro jeito. Então, caso sofra ou já sofreu algum tipo de ofensa, reporte como SPAM e pronto, nunca mais vai receber mensagens da mesma pessoa =)

Não responda, não de ibope pra quem é baixo-nivel.  Essas pessoas precisam de atenção e amor-proprio; e não é respondendo uma provocação tola que você vai mudar alguma coisa.

Não da pra mudar a cabeça de todo mundo, e nem querer que todos sejam felizes e amigos. Mas da pra selecionar o que te faz bem, o que é bom.

Não de ibope pra falta de educação e inveja… e caso um desses ‘educadissimos anonimos’ ler isso aqui, sugiro o seguinte: pare de tentar trazer infelicidade pros outros, porque isso é reflexo da própria infelicidade… vai cuidar da propria vida e ser feliz, por que não?

Mil e um

08/02/2010

Hoje o warum nicht completou mil visitas! Obrigada ai a todos que lêem =)
Gostaria que participassem pelos comentários também, mas valeu por acompanharem o blog!!

Beijos! 😀

Sentimento antecipado..

04/02/2010

Sentindo uma mistura de sensações tão estranhas…. Estou muito, muito feliz mesmo pelos meus amigos que passaram na FUVEST! Mas ao mesmo tempo estou muito triste de não poder compartilhar essa mesma sensação…

Quem sabe ano que vem…